À medida que envelhecemos, nossas artérias e arteríolas se tornam menos elásticas e não conseguem relaxar tão rapidamente durante o bombeamento cardíaco. Esse aumento na resistência vascular periférica aumenta a força necessária (contração ventricular) para a ejeção aórtica de sangue (sístole), com o consequente aumento do nível da pressão arterial sistólica e o desenvolvimento do aumento da espessura do músculo cardíaco (Hipertrofia Ventricular Esquerda – HVE). A perda de elasticidade e complacência ocorre também ao nível do músculo cardíaco, produzindo a disfunção diastólica do ventrículo esquerdo ou, em alguns casos, quadros de Insuficiência Cardíaca Fração de Ejeção Normal (ICFEN).

Importante salientar que o enrijecimento arterial, a perda da elasticidade, complacência do músculo cardíaco, é um processo fisiológico do próprio envelhecimento, as quais impõem alterações cardíacas necessárias para essa adaptação às situações de sobrecarga, podendo evoluir com um possível comprometimento cardiovascular, pois a linha entre o fisiológico e o patológico muitas vezes é tênue.

Alterações que ocorrem nas artérias dos idosos, mais especificamente em seu revestimento interno (endotélio), levam ao fenômeno da disfunção endotelial e ao aumento da prevalência das placas de gordura (aterosclerose) presentes nas cardiopatias isquêmicas, assim como de importante participação nos eventos cardiovasculares agudos (Infarto Agudo do Miocárdio – IAM e Acidente Vascular Cerebral – AVC).

Verifica-se um aumento significativo na incidência das arritmias atriais em decorrência das alterações estruturais cardíacas, como o aumento do volume do átrio esquerdo em face da grande sobrecarga de pressão do ventrículo esquerdo. Entre as arritmias atriais, as mais temidas são: fibrilação atrial e/ou o flutter atrial, frequentemente associados ao Acidente Vascular Cerebral Cardioembólico. Alterações no sistema de condução elétrico cardíaco são encontradas frequentemente, sendo o Bloqueio Átrio Ventricular (BAV) de grau avançado responsável por grande número de procedimentos de implante de marcapasso cardíaco.

As doenças valvares em idosos são comumente relacionadas ao envelhecimento das válvulas com um processo de calcificação progressiva a partir da sexta década de vida (etiologia degenerativa), levando a problemas como estenose aórtica (dificuldade em abrir a válvula aórtica ) e/ou insuficiência aórtica (dificuldade de fechar a válvula aórtica), sendo que a falta de ar ou desmaios e dores no peito são critérios de mau prognóstico nesses pacientes. As doenças de válvula aórtica algumas vezes são acompanhadas de dilatação da artéria aórtica torácica (aneurisma aórtico).

Apresentam relevante prevalência a insuficiência da válvula mitral por disfunção do músculo papilar ou calcificação e fibrose da válvula mitral. Alterações nessas válvulas, muitas vezes, são acompanhadas dos surgimentos das arritmias atriais com potencial tromboembólico.

O envelhecimento acontece com a disautonomia do sistema nervoso autônomo (desequilíbrio entre os seus componentes: simpático/parassimpático), afetando as funções involuntárias que ajudam a coordenar, sendo essa uma causa frequente de desmaios (síncopes) em idosos sem cardiopatia. Ambiente social, solidão, má alimentação e doenças neurológicas e psiquiátricas com declínio da cognição também estão relacionadas ao aumento do risco cardiovascular, justificando a importância do acompanhamento multidisciplinar.


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