A Lp(a) uma alteração pouco comum, pois um em cada cinco adultos apresentam os níveis de Lp(a) elevados. Nos últimos anos, vemos sua relevância crescer na avaliação de risco para eventos cardiovasculares

Lp(a) se assemelha à molécula do LDL (colesterol ruim), sendo formada pela junção da Apo B com a Apolipoproteína A. Sua exata participação na patologia da doença cardiovascular ainda não é clara, mas provavelmente se dá por ser de estrutura semelhante ao do plasminogênio, proteína que dissolve coágulos. Ao competirem pelo mesmo receptor temos como resultado o prejuízo na ação do plasminogênio e a formação de trombose (pilar principal dos eventos cardiovasculares agudos). Também existem evidências na participação direta na ruptura da placa aterosclerótica, que antecede a formação do trombo por agregação plaquetária e na calcificação da válvula aórtica.

Os níveis da Lp(a) não se relaciona à dieta e à atividade física, porém tem caráter de hereditariedade (herança genética). Portanto, em geral, não é um exame para se fazer como follow up (seguimento clínico), visto que uma vez avaliado acima dos valores de referência (> 30 mg/dl ou > 50 mg/ dl em uso de estatinas) já nos dá a informação do risco agravado para eventos cardiovasculares ao longo da vida. Sua correta avaliação deve ser realizada em conjunto com outros fatores como idade, doença cardiovascular estabelecida, histórico familiar para cardiopatia, morte súbita, hipercolesterolemia familiar e análise médica do escore de risco cardiovascular global. Em guideline tem seu valor muito bem estabelecido como fator agravante de risco, porque não existem ainda evidencias de sucesso na redução de risco com a redução dos níveis plasmáticos via tratamento farmacológico. Medicações como inibidores da CEPT (redução em torno de 30%), inibidores da PCSK9 (redução em torno de 20 a 30%) e uma nova droga criada especificamente para a redução dos níveis da Lp(a): a APO(a)-LRX com redução em até 80% dos níveis da Lp(a) (em dose máxima) falharam em demonstrar a diminuição de problemas cardiovasculares.

Fato interessante é que as estatinas podem aumentar em 10 a 20% os níveis da Lp(a), podendo ser a explicação para o insucesso terapêutico em redução de eventos cardiovasculares em alguns pacientes que atingem a meta na redução do LDL. Nesse caso, recomenda-se dosar os níveis do Lp(a) antes e durante o tratamento com a estatina.

Muitos estudos continuarão sendo realizados em busca de respostas e novas medicações com ação direta nessa molécula.


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