A síndrome vasovagal ou síncope neurocardiogênica trata-se da perda momentânea da consciência, causada pela diminuição do fluxo sanguíneo cerebral (ou ao cérebro).

A síncope vasovagal ocorre independente da presença de alguma doença estrutural cardíaca, pois encontra-se em desequilíbrio com a resposta do sistema parassimpático ao estímulo do simpático, ou seja, há uma falta de equilíbrio do sistema nervoso autônomo.

Estímulos adrenérgicos (simpático) como medo, estresse agudo (sustos) ou fobias, estimulam o coração a bombear mais sangue, que aumenta a frequência cardíaca e débito cardíaco.

A elevação da atividade simpática é fisiologicamente modulada pelo nervo vago (parassimpático), que equilibra essa reação. Gosto muito de fazer a analogia de dois indivíduos em uma gangorra, ambos com pesos semelhantes. O paciente portador da síndrome vasovagal sofre com a resposta vagal exacerbada, na qual produz a queda brusca da pressão arterial, frequência cardíaca ou ambas simultaneamente.

Esse distúrbio apresenta grande incidência nas fases da adolescência e juventude, principalmente no sexo feminino, motivo habitual da preocupação por parte dos pais, além de prejudicar na qualidade de vida dos(as) jovens. Além disso, a síndrome vasovagal também é frequente entre os idosos, sendo mais comum naqueles que já tiveram a doença na juventude.

Constantemente, identificamos a presença a partir de alguns fatores desencadeantes, como o tempo prolongado na posição supina (de pé), o calor, ambientes fechados, comum nas missas de domingo, levantar rápido demais, além de estímulos dolorosos intensos, desidratação e/ou perda de volumes secundário das mudanças gastrointestinais (diarreia/vômitos) ou alterações menstruais intensas. No sexo masculino, é bastante frequente que o episódio ocorra durante o ato de micção, ao se barbear ou apertar a gravata (nos dois últimos, por estímulo nos barorreceptores do seio carotídeo no pescoço)

Geralmente, o desmaio é precedido por breves sintomas que podem ser notados pelo paciente ou acompanhantes, sendo estes muito desconfortáveis. Alguns sinais como sudorese fria, palidez de mucosas igual aos lábios, vista turva ou borrada e palpitações, são alertas para o paciente se deitar ou sentar, a fim de restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral, e evitar a perda da consciência e a queda.

Além do acompanhamento médico com o cardiologista, o paciente deve ser orientado a seguir algumas orientações. Elas são:

– Não permanecer de pé por período prolongado;
– Evitar ambientes quentes, aglomerados e fechados;
– Beber bastante água (cerca de 2 litros ao dia);
– Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
– Movimentar pernas e panturrilhas durante posição supina;
– Não tente “lutar” contra o iminente desmaio, pois de fato você irá desmaiar. Deite-se e coloque as pernas sobre apoio elevado.

A síndrome vasovagal é um distúrbio, do ponto de vista cardiovascular, benigno. No entanto, pode evoluir para consequências graves, como o traumatismo crânio encefálico e fraturas ósseas, com importante aumento do risco em pacientes idosos e/ou anticoagulados.

Recomenda-se que os pacientes, com quadro de síncope, procurem imediatamente avaliação cardiológica, principalmente, para afastar outras causas de síncopes, evitando o aumento do risco cardiovascular.


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